segunda-feira, 6 de junho de 2011

ARTIGO: ÓPERA DO MALANDRO (OU AS DUAS FACES DA MOEDA)

                                                É comum encontrarmos manifestações na mídia estampando em manchetes, o descontentamento e a desaprovação da população com a atuação do Poder Legislativo, em especial as Câmaras Municipais, até porque, os parlamentares locais encontram-se bem mais próximos do eleitor e, assim, mais acessíveis. Cumpre deixar claro, que tamanha reprovação não é privilégio do município “A” ou “B” mas, uma expressão de sentimento disseminada por todo o Brasil, com raríssimas e honrosas exceções.
Cabe aqui a pergunta: assiste razão aos cidadãos? Sem a pretensão de encontrar a resposta pronta e acabada mas, sim, no intuito de refletir sobre o tema, em parte, sim, razão lhes assistem. Porém, as causas desse péssimo desempenho de conceito não estão adstritas apenas e exclusivamente aos integrantes do Poder Legislativo.
Sabemos, e a campanha eleitoral demonstra com transparência cristalina, que a grande maioria dos pretensos candidatos a uma vaga na edilidade não possuem o mínimo preparo exigido para o honroso mister. A maioria esmagadora daqueles que se aventuram pela disputa eleitoral o fazem desprovidos do mínimo conhecimento exigível para o exercício do poder legiferante, amparados tão somente em pretensa popularidade, pitoresca notoriedade ou neo-celebridade, fato este refletido pelos “nomes/apelidos” com que se apresentam.
Longe de tal constatação manifestar uma posição elitista ou preconceituosa, porém, não basta àqueles que almejam ocupar uma cadeira na Câmara Municipal os predicados obrigatórios à essência de qualquer cidadão de bem: honestidade, trabalho, boa vontade, etc... Imperativo se torna que, aliado a tais conceitos, outros hão de serem necessários para o pleno exercício do mandato parlamentar, tais como, competência, conhecimento, discernimento, cultura geral, cultura específica, etc...
Endossando tais conclusões, temos a verborragia explícita dos candidatos que, no período do programa eleitoral gratuito, alardeiam os maiores disparates possíveis, demonstrando, ali, o total desconhecimento do mínimo exigível para o exercício da função pública que almejam. Encontramos desde verdadeiros candidatos “lutadores” (lutarei pelos pobres, lutarei pelos aposentados, lutarei pelos desempregados, lutarei pelos feirantes, lutarei pelos agricultores, lutarei pelos negros, lutarei pelas mulheres, etc..), os candidatos “advogados” (defenderei os direitos das minorias, os direitos dos deficientes, os direitos dos aposentados, etc...)  até aqueles que, por suas plataformas políticas, mais parecem candidatos ao cargo de alcaide (asfaltar ruas, construir creches, construir postos de saúde, acabar com a falta d’água, construir casa populares, acabar com o desemprego, etc....)
Denota-se aí, o completo desconhecimento de quais sejam as funções dos membros do Poder Legislativo e, por conseguinte, se eleitos, total despreparo para seu desempenho. Esse, é um lado da moeda.
No reverso, temos o eleitor (aquele mesmo que critica o desempenho do parlamentar) que habituou-se a enxergar, o processo eleitoral, sob a ótica do balcão de negócios, de atendimentos às suas necessidades individuais imediatas. Esse eleitor escolhe seu candidato pelos mimos e presentes por ele fornecidos. De par de botinas a aviamento de receita de óculos, perpassando pela dentadura e pela passagem de ônibus; satisfazendo-se desde um simples jogo de camisas para o time do bairro até uma consulta médica.
Este mesmo “eleitor”, passado o período eleitoral, somente se dirige ao “eleito” para pleitos pessoais, mesquinhos, como pedidos de emprego e, não raro, solução de problemas junto à administração municipal, e outros do mesmo quilate, de conotações não tão nobres. Raras e honrosas são as iniciativas de cidadãos/eleitores que se unem no sentido de efetivamente fiscalizar a atuação do “seu” escolhido.
Como resumo dessa “ópera do malandro”, constatamos que a responsabilidade pela situação de insatisfação do eleitor com relação ao eleito trata-se, na realidade, de duas faces da mesma moeda: O HOMEM. Seja ele eleitor, seja ele o eleito. Nenhum cumpre o seu papel: nem o parlamentar cumpre sua função precípua que é a de fiscalizar os atos do Poder Executivo e, na outra face, nem o eleitor cumpre seu papel de cidadão de cobrar daqueles, o efetivo e leal desempenho de suas obrigações.

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